segunda-feira, 12 de julho de 2010

Alongamentos

Para quem ainda não leu meus outros textos, eu voltei a pedalar depois de 8 anos afastado da bicicleta. A ansiedade fez com que eu pulasse algumas etapas e fosse testando o meu corpo até o limite. O resultado não poderia ser outro - dores no joelho.

Fui ao ortopedista (procurei um especializado em joelho). Qual foi o diagnóstico? A falta de alongamento causava uma zona de hiper-pressão na rótula fazendo com que ela inflamasse nas pedaladas. Não sei se consegui repetir exatamente o que o médico me disse mas o que importa é que preciso fazer alongamento para o posterior da perna e coxa, todos os dias, mesmo sem pedalar. Foi então que o médico me receitou o livro "Alongue-se" de Bob Anderson.

Gostei muito deste livro. Ele explica como alongar cada parte do corpo e depois separa os alongamentos por tipo de prática esportiva, incluindo o ciclismo.

É possível ler alguns trechos do livro no Google Books. Aqui está o link.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Levantamento de percursos para cicloturismo - Mais detalhes

Recebi um comentário no texto "Levantamento do percurso para a cicloviagem" pedindo mais informações de como fazer o levantamento de percursos para cicloviagens.

Antes de fazer o levantamento no Google Earth eu recomendo procurar "tracklogs" existentes na internet. Clique aqui para ter acesso à lista de sites que conheço. Não havendo o percurso que você procura, então passamos para o Google Earth.

Para quem nunca usou o Google Earth, recomendo a leitura do tutorial "Navegação pela Terra".

O Google Earth trabalha com camadas (clique no link para mais informações). A seguir vou listar as mais importantes para o levantamento de um percurso em estrada ou rodovia.

A camada "Marcadores" contém cidades, distritos, vilas, povoados, etc. Alguns marcadores só aparecerão na imagem para determinados níveis de zoom. Por exemplo, ao visualizar todo o estado de São Paulo, apenas as maiores cidades irão aparecer. Conforme você aumenta o zoom, cidades menores aparecerão.

A camada "Locais de interesse" contém lugares, empresas, estações de transporte público, montanhas, parques e campos de golfe.

A camada "Estradas" contém rodovias, estradas e ruas. Assim como a camada "Marcadores", será necessário aumentar o zoom para visualizar caminhos de menor importância. É preciso um pouco de cuidado com relação às estradas de menor importância (linhas cinzas) pois podem ser caminhos de propriedades particulares ou até um caminho temporário que não existe mais. Veja a imagem abaixo. Não conheço este local mas é possível perceber uma zona desmatada com vários caminhos em seu interior. Este é um exemplo típico de cultura de eucaliptos (para fabricação de papel, etc) e estes caminhos são para sua extração. Provavelmente será uma propriedade privada com acesso restrito.


Outra camada muito importante é a "wikiloc". Ao ativar esta camada você poderá visualizar ícones no início de caminhos publicados por usuários deste serviço. Na imagem abaixo você pode ver um exemplo de um caminho para "off-road" e outro para MTB. Ao clicar sobre o ícone, aparecerá uma janela com as informações do trajeto e o link "Display track on the map". Ao clicar neste link, o trajeto será mostrado no Google Earth. Você pode visualizar quantos percursos quiser.


Por último, a camada "Google Earth Community" contém informações compartilhadas por usuários do Google Earth. Também é preciso cuidado ao usar esta camada pois não é completamente confiável.

Se mesmo com as camadas acima ainda não foi possível definir o caminho para sua cicloviagem então será preciso fazer uma interpretação das imagens. Não é possível criar regras bem definidas para este tipo de interpretação mas vou deixar alguns exemplos aqui. Apenas com a prática será possível melhorar sua interpretação de imagem de satélite. Comece praticando com imagens de locais que você conhece, tentando identificar rodovias, estradas, ruas, vegetação, construções, automóveis, rios, linhas de Alta Tensão, etc.

Veja na imagem abaixo o primeiro exemplo. Nela é possível ver uma rodovia, uma estrada e alguns veículos. É possível diferenciar a rodovia (asfalto) da estrada (terra) pela cor.


Na imagem abaixo é possível ver um rio, um lago, uma ponte e uma vegetação densa.


Na imagem abaixo é possível verificar uma linha bem tênue entre a vegetação densa (entre as linhas amarelas). Com um pouco mais de treinamento é possível perceber que esta linha é a continuação da estrada no canto superior direito. Esta interpretação é difícil e sua confiabilidade é mais baixa, portanto, tenha sempre um percurso ou plano alternativo.


O próximo passo é traçar o percurso desejado. Veja aqui como traçar caminhos no Google Earth. Começe traçando uma linha entre dois pontos de interesse, que servirão de guia para você não se afastar muito do seu objetivo. Veja imagem abaixo.


Depois disso, vá desenhando o percurso sobre a estrada ou rodovia pretendida. Quando encontrar uma bifurcação, prefira a que aponta em direção à linha guia que você traçou. Algumas vezes a estrada irá acabar sem chegar ao destino pretendido. Neste caso volte até a bifurcação anterior e continue no outro sentido. Esta tarefa é bem trabalhosa.

Após traçado o percurso, utilize a função de "perfil de elevação" para ter uma noção melhor da dificuldade do trajeto.

Uma vez criado o percurso, salve-o no formato KML e abra no software GPStm para fazer o upload em seu GPS.

Cuidado com as limitações de seu GPS. Uma vez fiz o upload de um percurso com 670 pontos no meu GPS mas ele só aceita 500 pontos. O resultado foi que ficaram faltando os 170 últimos pontos do trajeto. Consegui me virar mas quase acabou com a viagem. Para contornar este problema, divida o percurso em trechos de 500 pontos ou diminua a resolução do trajeto (o GPStm faz isso).

Acima está o básico para você fazer seu levantamento. Como disse, só é possível melhorar a interpretação de imagens com a prática.

Se precisarem de ajuda para alguma tarefa específica e eu tiver o tempo e conhecimento disponível, pode ter certeza que ajudarei, com o maior prazer.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ilhabela - Estrada de Castelhanos

Um pouco sobre Ilhabela

Vista do canal entre São Sebastião e a Ilha de São Sebastião (à direita), retirada do siteKitesurf Mania
Ilhabela é o único município-arquipélago marinho do Brasil e sua ilha principal, Ilha de São Sebastião, possui um relevo bem acidentado, com pontos culminantes de até 1379 metros. O arquipélago tem área superior à 340 km². A vegetação predominante é a Mata Atlântica e ainda está bem preservada. São 36 km de praias, sendo algumas acessíveis apenas por mar. As cachoeiras são abundantes. Suas características e belezas naturais são um convite para a prática de esportes náuticos ou de aventura. A região ainda reserva um bom número de histórias, mistérios e lendas envolvendo piratas, escravos, naufrágios, almas penadas e discos voadores. Entre os naufrágios ocorridos em Ilhabela está o maior da América do Sul – O transatlântico espanhol Príncipe de Astúrias naufragou em março de 1916 tirando a vida de 477 pessoas.

Para o leitor que quiser se aprofundar sobre as histórias do arquipélago, ou sobre os naufrágios, pode encontrar maiores informações nos livros "Ilhabela - Seus Enigmas" de Jeannis Michael Platon e "Príncipe de Astúrias" de José Carlos Silvares e Luiz Felipe Heide Aranha Moura.

A viagem até São Sebastião

Eu e uma amiga partimos bem cedo de Campinas. De carro, com as bicicletas amarradas no suporte e equipamento de camping no porta-malas, seguimos pela rodovia D. Pedro I. Até Jacareí foram 135 km, incluindo um pedágio no município de Itatiba. Os 23 km seguintes foram pela rodovia Carvalho Pinto, passando por mais um pedágio. Até este ponto o caminho foi tranquilo devido as ótimas condições das duas rodovias, fazendo valer os pedágios pagos. Continuamos a viagem, agora acompanhados pelo carro de outro amigo, pela rodovia dos Tamoios, estrada com poucos pontos de ultrapassagem e de mão-dupla. Não há nenhum pedágio nos 75 km até Caraguatatuba entretanto as condições da via não eram tão boas quanto as encontradas nas rodovias anteriores. Os últimos 25 km seguimos pela Rio-Santos, até São Sebastião, onde faríamos a travessia de balsa, até Ilhabela.

Informações de 2001, portanto desatualizadas.

Vencendo o medo

Meu primeiro desafio do passeio foi antes mesmo de começar a trilha, já na travessia da balsa, pois tenho fobia de grandes concentrações de água. Os minutos de espera pela balsa foram tensos. Eu procurava me acalmar mas experimentava um sentimento misto, de ansiedade e medo. Iniciado o embarque, respirei fundo e conduzi o carro até o local indicado para o estacionamento. Procurei me distrair, conversando com os amigos, o que me ajudou muito.

Preparativos

Chegamos em Ilha Bela e nos dirigimos para o camping. Já no camping, começamos os preparativos para a trilha: equipamentos de proteção, protetor solar, lanche, água potável, anti-histamínico - é, além do medo de água ainda enfrentaria um dos meus maiores inimigos, o borrachudo. Quando criança já precisei ir ao hospital devido a uma reação alérgica à picada deste inseto, abundante em algumas regiões do litoral paulista.

Força, amigo!

Com as bicicletas à postos, partimos em direção à Castelhanos, praia do lado leste da ilha. A estrada é de terra e bem arborizada, o que impedia os raios solares de alcançarem o solo, deixando-o bem úmido. O primeiro trecho é uma subida contínua, chegando a pouco mais de 700m acima do nível do mar. Na portaria do parque estadual de Ilhabela, ainda no começo da estrada, fizemos uma pausa para tirar algumas fotos, fazer um pouco mais de alongamentos e abastecer as caramanholas. O trânsito de veículos motorizados na estrada é bem pequeno. Não é qualquer carro ou motorista que consegue transpor todos os obstáculos encontrados ao longo do percurso. A subida foi relativamente tranquila, sem contratempos, afinal, todos ainda estavam com muita energia.

Hora do Downhill

Superado o trecho de aclive chegou a vez do downhill. O começo da descida foi bem divertido, com muita velocidade. As curvas e barrancos começaram a exigir um controle maior da velocidade das bicicletas. A grande quantidade de lama, buracos, pedras, e o receio de veículos no sentido contrário começaram a nos exigir uma atenção maior ainda. Logo as mãos, punhos, braços, ombros e pescoço começaram a doer, devido ao esforço contínuo de acionamento dos freios e à tensão causada pela dificuldade da trilha. A única coisa que eu desejava no momento era um freio a disco.

Apesar de desgastante estávamos curtindo bastante a descida, quando de repente surge um grito do nada: "SAI DA FREEEEENTE!". Com um pedido tão educado, retirei-me para o canto da estrada, e então passou um vulto, vestido de ciclista, um Downhiller. Passado o susto, continuamos a descida por locais onde até um jipe tinha dificuldades de passar. Um pouco mais à frente cruzamos com uma pick-up. Dentro dela estavam: o motorista e o downhiller que tinha passado por nós. O downhiller estava com o equipamento de proteção completo, de dar inveja a qualquer cavaleiro medieval. Na caçamba da camihonete ... uma bela máquina de duas rodas. Continuamos nossa descida e não demorou muito para o silêncio ser quebrado novamente: " A FREEEEENTE!". Lá se vai o downhiller descida a baixo, mais uma vez.

Finalmente chegamos ao final da descida. Nossa próxima tarefa: atravessar um rio raso, de água cristalina e gelada, e com fundo preenchido de pedras lisas. Na outra margem estava um grupo de cavaleiros. A tentação de atravessar o rio pedalando foi tão grande que não resistimos. Pegamos um bom embalo e entramos no rio. No meio da travessia os pedais estavam submersos e pedalar nesta situação exigia um esforço muito grande. Não tinha como continuar, então a outra metade do rio foi transposta com a bicicleta no ombro. Pelo menos ninguém caiu. Depois de conversar um pouco com os cavaleiros, seguimos o passeio. Foi então que encontramos uma poça de água da chuva, enorme. "Desviar pra quê?", pensamos. Passamos por dentro dela em alta velocidade, indo parar lama até dentro da orelha.


Enfim, Castelhanos

Imagem da baía de Castelhanos, retirada do site Kitesurf Mania

Chegamos! A paisagem era fantástica e nos fez esquecer que ainda teríamos que enfrentar o esforço do retorno. Um quiosque de sapê, no meio da praia, nos forneceu abrigo contra o sol. É claro que não poderia faltar um bom banho no mar, até porque precisávamos tirar todo aquele barro do corpo. Ainda vislumbrados pela beleza da região, fomos recebidos para um banquete, pelo menos para os borrachudos. Eles estavam se deliciando com nosso sangue e nos lembravam que estava na hora de partir. Infelizmente não tivemos tempo de explorar toda a praia, que merecia pelo menos um dia inteiro.

Subida a pé

Estávamos ainda no início do retorno quando escorreguei com o pneu da frente em uma pedra. Não consegui desencaixar a sapatilha do pedal e levei um tombo. Ainda no chão, tentava desencaixar a sapatilha mas não conseguia. Eu usava um modelo de pedal de encaixe da Shimano que era muito fechado e acumulava muita lama. O resultado não podia ser outro, tinha tanta lama acumulada que o sistema de desencaixe travou. Só consegui me levantar após ter recebido a ajuda de minha amiga para desencaixar a sapatilha. A queda me deixou com a coxa um pouco dolorida, mas só.

Pouco tempo depois foi a vez da minha amiga. Após o pneu traseiro girar em falso sobre uma pedra lisa, a bicicleta escorregou de lado, levando-a de encontro ao chão. A queda foi severa com ela e deixou várias escoriações na perna e muitas pedrinhas cravadas no joelho. Com o joelho doendo muito, ela não conseguia mais pedalar. Tivemos que fazer a subida a pé. Nesse momento já não tínhamos mais contato visual com o 3º integrante pois ele tinha ido na frente. Foram pouco mais de 10 km de subida a pé e empurrando a bicicleta, em terreno enlameado e com muita pedra. Tivemos que parar por vários momentos por causa das dores que a minha amiga estava sentindo. O odômetro da bicicleta progredia muito devagar e o desânimo, muito depressa. A situação ainda estava piorando, estava esfriando, a fome começava a ficar intensa e o cansaço não nos dava trégua. Nosso objetivo principal era terminar a subida pois poderíamos fazer a descida montados na bicicleta, visto que a amiga não precisaria pedalar. Muito tempo depois conseguimos alcançar o final da subida e re-encontrar o nosso amigo. A conclusão da subida foi muito comemorada, precipitadamente.

Descida a pé

Explicado todos os acontecimentos para o amigo e aliviados por ter conseguido alcançar o topo da trilha, apressamo-nos a iniciar a descida. E então uma nova descoberta exauriu por completo nossos ânimos. Meus freios não funcionavam mais. As sapatas tinham sido integralmente consumidas na descida anterior – O desgaste havia sido acelerado pela grande quantidade de lama. Sem freios, só tinha uma coisa a fazer, descer a pé. Depois de ter feito mais de 10 km de subida a pé e empurrando a bicicleta eu não conseguia acreditar que teria que fazer mais 10 km de descida, também a pé. E o pior de tudo é que já estava escurecendo. Não tínhamos levado farol ou lanterna pois saímos muito cedo e prevíamos um retorno antes do entardecer. Minha cabeça era inundada por um único pensamento: "O que estou fazendo aqui?".

Antes que o pânico tomasse conta de nós tivemos que pensar em um plano emergencial. Decidimos que o Amigo seguiria de bicicleta, sozinho, para buscar o carro e nos resgatar. Eu desceria a pé e a Amiga me acompanharia de bicicleta. Plano em ação, logo a escuridão tomou conta de tudo e não enxergávamos além do próprio passo. Estávamos sozinhos, em uma ilha, numa região erma, cercados de Mata Atlântica por todos os lados. Apreensivos, os sentidos começaram a funcionar melhor, ou pior. Começamos a enxergar e escutar coisas estranhas. Num lugar com tantos mistérios começamos a acreditar que tudo era possível. Tornou-se difícil identificar o que era real e o que era imaginário. A passos largos, tropeçando no escuro e sem saber o que nos rodeava, chegamos à portaria do parque. Vimos faróis em nossa direção mas ainda estávamos apreensivos. Não tínhamos mais forças para nenhuma nova surpresa. Em dúvida se aquilo seria nosso resgate ou nossa perdição resolvemos arriscar e nos aproximamos do veículo. Ainda um pouco incrédulos e eufóricos reconhecemos o João, já com o carro para nos resgatar.

Basta por hoje

Enfim ... o camping. Preparamos um macarrão semipronto, com o sabor incrementado absurdamente pela fome que sentíamos. O banho de água morna em box de concreto parecia uma hidromassagem de um hotel 5 estrelas. O chão da barraca – frio, duro, irregular – não nos impediu de ter uma noite sensacional. Nunca tive tanto prazer em saciar necessidades tão básicas.

Depois de tanto sofrimento, uma pessoa normal ficaria um bom tempo no conforto da civilização, mas não foi o nosso caso. Uma semana depois já estávamos planejando a aventura seguinte, mas não antes de comprar um bom freio com sapatas reserva para ambiente molhado e de trocar meu pedal Shimano por um Time.

Percurso

No Wikiloc e no GPSies.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Taubaté - Templo Hare Crishna (Fazenda Nova Gokula)

Este foi um passeio que mais parecia um pesadelo, resultado da inexperiência dos participantes: eu e meu primo.

Éramos adolescentes quando começamos a nos aventurar em passeios de longa distância, a maioria por rodovias de fluxo muito baixo, quase inexistente. A grande maioria deles era nas proximidades de Taubaté - SP, pela facilidade de acesso que tínhamos. As bicicletas eram bem simples e baratas mas, felizmente, nunca nos deixou na mão.

Templo Hare Chrisna - Fazenda Nova Gokula (retirado do site Panoramio)


Interior do templo (retirado do site Panoramio)

Acordamos muito cedo naquele dia. O objetivo era ir até o templo Hare Chrisna na fazenda Nova Gokula que indicaram para nós. Tomamos nosso café da manhã, preparamos os lanches, pegamos um pouco de dinheiro e colocamos tudo nas mochilas. Não usávamos o tradicional uniforme de ciclismo mas sim bermudas, camisetas e tênis comuns. Nem sequer capacete usávamos naquela época, o que ilustra bem o nosso amadorismo (hoje em dia não saio mais sem capacete).

Não tínhamos muitas informações sobre o percurso e contávamos apenas com a coragem e o espírito de aventura, inerente dos adolescentes.

Tudo pronto, partimos com o nascer do sol, que estava espetacular naquele dia, prometendo ser inesquecível ... e foi.

Estação de Trem Campos do Jordão (retirado do site Panoramio)
Fomos até Pindamonhangaba pela Rodovia Amador Bueno da Veiga (SP 62). Em "Pinda", fomos até a estação do trem que vai para Campos do Jordão. Seguimos os trilhos do trem pela Rua Martin Cabral e depois viramos na Av. Dr. João Ribeiro.

Enquanto passávamos por uma fábrica da Coca-Cola, que hoje está desativada, fiz uma descoberta nada boa: "esquecemos as caramanholas no congelador". Nós colocamos as caramanholas no congelador, na noite do dia anterior, para manter a água gelada por um tempo maior e acabamos esquecendo de pegá-las pela manhã. Não valia a pena voltar e decidimos comprar água no caminho.

Rio Paraíba do Sul com a Serra da Mantiqueira ao fundo (retirado do site Panoramio)
Logo à frente cruzamos o rio Paraíba e então chegamos à Rodovia Dr. Caio Gomes Figueiredo (SP-132). Pedalamos mais uns 2 km e encontramos uma bifurcação. "E agora?", não lembrávamos direito o nome do local onde íamos mas vimos uma placa indicando Ribeirão Grande para a direita. Sabíamos que se continuássemos na rodovia acabaríamos chegando em Piracuama, então viramos à direita, na estrada Jesus Antônio de Miranda, sem muita certeza de estarmos no caminho certo. Pra falar a verdade a dúvida foi constante a partir deste ponto.

O dia já estava bem quente, com o sol muito forte. Quase não haviam nuvens no céu. O suor encharcava toda a roupa. Dava para ver o calor emanando do asfalto. Parecia até uma estrada do Vale da Morte, nos Estados Unidos, como nos filmes. Era um dia especialmente quente.

Em um certo momento paramos em uma casa de doces e compramos duas barrinhas de doce de leite. Na verdade o doce era só uma desculpa para filar a água do estabelecimento e descansar um pouco sob a sombra da grande varanda que lá tinha. Mais a frente paramos num bar para comprar água.

Passamos por um trecho com muitos Eucaliptos, que nos ajudaram a enfrentar o calor, com suas sombras.

Percorremos um pouco mais de 20 km desde "Pinda" e já estávamos morrendo de fome. O asfalto terminava aqui. O caminho continuava em frente mas resolvemos seguir um pouco por uma estrada à esquerda, até um bar. Abrimos a mochila e pegamos nossos lanches. Foi engraçada a cara que fizemos, um para o outro, quando vimos os lanches. Eles estavam finos como um pastel, compactados pelas outras coisas da mochila. Apelidamos o lanche de "pãoqueca".

Rio ao lado do bar, final do asfalto (retirado do site Panoramio)

Aproveitamos o rio que havia ao lado do bar para nos refrescarmos um pouco.


Após um ótimo repouso seguimos pela estrada que levava ao templo. Só tinha um problema ... não sabíamos o caminho e neste ponto já não tínhamos o asfalto para nos guiar. Começou a surgir uma bifurcação atrás da outra. Continuamos sem saber se estávamos no caminho certo, até que cruzamos o rio. A estrada se perdia entre o grande número de árvores e já desconfiávamos ter pego o caminho errado.

"No stress, sô aperreio", já sem dinheiro, depois de 40 km pedalados, decidimos voltar, mas não antes de aproveitar vários "single tracks" que haviam no local. Depois viemos a descobrir que o caminho era aquele mesmo e que quase chegamos lá, faltando apenas alguns metros.

O retorno até "Pinda" não teve surpresas, a não ser o cansaço que começava a nos dominar. Não estávamos habituados a longos passeios.

Já quase saíndo de "Pinda", em direção à Taubaté, encontramos uma bifurcação e uma placa de sinalização. Ela apontava para a direita, para Tremembé. Cansados, com nuvens negras no céu ameaçando uma enorme tempestade, seguimos rumo a Tremembé, achando que este seria o menor caminho de volta. Só tenho uma coisa a dizer: "Duas cabeças de jerico!". Com isso foram acrescentados 3 km ao nosso percurso.

Logo que entramos na rodovia, rumo à Tremembé, a tempestade começou. Ventava muito, e é claro, contra nós. As gotas de chuva eram enormes e chegavam a doer na pele. Não dava para enchergar nada à frente. Só desejávamos chegar em casa antes de uma possível chuva de graniso.

"Dinheiro, dinheiro ...", comecei a gritar, quando encontrei alguns reais perdidos a muito tempo, num dos bolsos da bermuda.

Com muito frio, cansaço e fome, chegamos à Tremembé. Paramos no primeiro bar que achamos e gastamos aquele dinheiro achado. Conseguímos comprar duas coxinhas. Irradiantes de felicidade por poder preencher um pouco daquele enorme vazio que tínhamos no estômago, pegamos o pote de catchup e apontamos para a coxinha: "peraí, este catchup está com uma consistência estranha". Pimenta, tinha acabado de encher minha coxinha com pimenta. Sem mais nenhum dinheiro para comprar outra coxinha, o jeito foi comer aquela mesmo. Pelo menos o frio se foi, ou a sensação dele.

Um detalhe interessante é que dentro do bar tinha uma cascata. Não era uma cascata artificial e sim um vazamento torrencial no telhado furado. Bem, estávamos ambos molhados mesmo ...

De Tremembé até Taubaté o percurso foi completado com muita cantoria, em voz alta, para espantar o cansaço.

"Home, sweet home", chegamos, no final da tarde. Nós estávamos imundos e sem energia pra nada, nem para um banho. A solução foi enfiar uma colher de açúcar na boca e dormir no chão duro do quarto. Sem travesseiro, sem cobertor, sem colchão e sem noção ... foi um dos melhores sonos que tive na minha vida.

Se fosse resumir este "passeio" em poucas palavras, eu diria: Calor, sede, fome, 81 km, cansaço, frio e muita diversão. Um pouco contraditório mas a mais pura verdade.

Publiquei o percurso no Wikiloc e no GPSies.

Mais informações sobre o local

A rodovia Jesus Antônio de Miranda, além de levar à várias atrações do Núcleo Turístico do Ribeirão Grande, como trilhas, riachos e cachoeiras ao pé da Serra da Mantiqueira, também é um roteiro gastronômico com comida caseira, peixes, massas, doces caseiros, etc. (fonte: Portalpinda). Estão previstas obras de recuperação na rodovia (fonte:Agoravale, 05/10/2009).

No site Pindavale há bastante informação sobre as várias atrações turísticas da região.

Taubaté é a cidade natal de José Bento Renato Monteiro Lobato. Na cidade, é possível visitar o Museu Monteiro Lobato.

A fazenda Nova Gokula tem um serviço de camping e hospedagem, mas atenção ao fato do lugar ter um clima de retiro espiritual. Se sua intenção é fazer bagunça com os amigos, não vá!

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Levantamento do percurso para a cicloviagem

Sempre gostei muito de mapa. Tenho muitos mapas topográficos do IBGE. Compro um mapa local de toda cidade que visito (desde que exista). Quando lançaram o Google Earth eu quase enlouqueci. Passo horas no GE procurando estradas para minhas viagens. Foi assim que fiz o levantamento do percurso.

No Google Earth tem uma camada que se chama "wikiloc". Quando você habilita esta camada, é possível visualizar no GE alguns "tracklogs" de gps que os usuários colocam no site. Além do wikiloc eu pesquisava "tracklogs" em fóruns de gps também. Ainda não conhecia o Bikers Brasil e o GPSies, por isso não os usei na pesquisa do percurso. Os "tracklogs" ajudam mas a maioria do percurso foi traçada apenas com a análise das imagens do GE. A maioria desta região pela qual passei tem imagens de boa resolução, sendo possível distinguir entre uma rodovia (pista asfaltada) e uma estrada (pista de terra).

Agora, com o lançamento recente da versão 5.2 do GE, ficou melhor ainda pois dá para ver o perfil de elevação também. Muito bom para saber se o trajeto vai ter muita subida ou não.

Uma vez terminado o levantamento eu convertia o arquivo do GE (.kml) para o formato do meu GPS e fazia o upload nele.

Atribuo o sucesso da minha viagem à este processo de levantamento do trajeto e ao GPS, que me guiou muito bem. Se não fosse a porteira que encontrei em uma parte, teria sido perfeito. Querer enxergar porteiras no GE já é pedir demais.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Paranapiacaba - Paraibuna

Paranapiacaba

Paranapiacaba surgiu como uma vila de funcionários da São Paulo Railway (companhia inglesa de trens) durante a construção da estrada de ferro que liga São Paulo à Santos. A arquitetura da vila - era de se esperar - seguiu os moldes da arquitetura inglesa. É frequente a presença de neblina nesta região, reforçando o clima londrino do local.


Imagem retirada do site Panoramio

A ocupação do morro é mais recente e é conhecida como "parte alta" da vila. A vila original é chamada de "parte baixa".


Imagem retirada do site Panoramio

Esta região tem muitos caminhos para se fazer de bicicleta. Eu particularmente adoro pedalar por lá. Se for visitar a vila, não deixe de experimentar a culinária local a base de cambuci. Dois eventos importantes que acontecem anualmente são: o Festival do Cambuci e o Festival de Inverno.


Imagem retirada do site Panoramio

Para mais informações visite os seguintes sites: Wikipedia, Prefeitura Municipal de Santo André, Paranapiacaba Ecoturismo, Guia Paranapiacaba e MTB Trip Bike Club Paranapiacaba.

Percurso Paranapiacaba - Taquarussu

O caminho é todo de terra batida com muitas pedras e sombra.

Distância: 4,7 km
Elevação no início: 834 m
Elevação no final: 833 m
Elevação mínima: 801 m
Elevação máxima: 945 m
Subida acumulada: 206 m
Decida acumulada: 208 m
Inclinação máxima de subida: 25,9 %
Inclinação média de subida: 7,7 %
Inclinação máxima de decida: 35,6 %
Inclinação média de decida: 9,6 %

Vila de Taquarussu

Vila do distrito de Quatinga com paisagem muito bonita. Um ótimo lugar para fotos. Para mais informações, visite o site do UOL Viagens.

Percurso Taquarussu - Quatinga

A grande maioria do caminho é de terra, com um pequeno trecho de asfalto. É possível encontrar vários bares (para comprar água, não pinga) e orelhões (para provar para a esposa onde você esteve, faça uma ligação a cobrar para ela, para vir o número na conta telefônica). A estrada passa, várias vezes, por cima e ao lado de uma tubulação da Sabesp. Você também encontrará muitas linhas de Alta Tensão e uma subestação (Tijuco Preto) de Furnas.

Distância: 12,8 km
Elevação no início: 833 m
Elevação no final: 769 m
Elevação mínima: 762 m
Elevação máxima: 833 m
Subida acumulada: 251 m
Decida acumulada: 314 m
Inclinação máxima de subida: 15,5 %
Inclinação média de subida: 4,0 %
Inclinação máxima de decida: 13,4 %
Inclinação média de decida: 4,3 %

Quatinga

Distrito de Mogi das Cruzes. Um de seus atrativos é a Pedra Grande, de onde dá para avistar o litoral. Mais informações aqui (Prefeitura de Mogi das Cruzes).

Bem na entrada do distrito, de frente para a primeira igreja, há um bar com um salgado muito gostoso (vale a pena experimentar). Só cuidado com o que vai pedir pois o dono não ouve muito bem ... pedi catchup e ele me trouxe uma garrafa de guaraná. Pior seria se eu tivesse pedido guaraná e ele trouxesse catchup.

Percurso Quatinga - Taiaçupeba

A maior parte do caminho é por terra em boas condições, passando por um pequeno trecho de asfalto e um trecho de terra com muita pedra (não recomendado para carro de passeio em apoio). Existe uma alternativa à este último trecho (com pedras) por uma via pavimentada.

Distância: 10,3 km
Elevação no início: 769 m
Elevação no final: 774 m
Elevação mínima: 769 m
Elevação máxima: 830 m
Subida acumulada: 277 m
Decida acumulada: 271 m
Inclinação máxima de subida: 19,2 %
Inclinação média de subida: 4,7 %
Inclinação máxima de decida: 17,7 %
Inclinação média de decida: 5,3 %

Taiaçupeba

Distrito de Mogi das Cruzes. Ao invés de falar sobre o distrito eu vou deixar aqui a resposta que recebi quando perguntei se havia pousada na região: "Pousada? Aqui em Taiaçupeba?", como quem diz, "Você bebeu gasolina?".

Desculpem-me, habitantes de Taiaçupeba, não resisti à brincadeira. O distrito merece respeito pois tem até Festival de Inverno. Para mais informações: Wikipedia, Prefeitura de Mogi das Cruzes e Sociedade Ambiental de Taiaçupeba.

Por incrível que pareça há em Taiaçupeba um caixa eletrônico do Banco Real e um do Bradesco.

Percurso Taiaçupeba - Biritiba Ussu

Este trecho merece atenção. Existe muita bifurcação, o que deixa o trajeto um pouco confuso. Sem GPS aqui não dá. Todo o caminho é por terra.

Distância: 17,7 km
Elevação no início: 774 m
Elevação no final: 786 m
Elevação mínima: 757 m
Elevação máxima: 841 m
Subida acumulada: 408 m
Decida acumulada: 396 m
Inclinação máxima de subida: 17,8 %
Inclinação média de subida: 4,4 %
Inclinação máxima de decida: 15,4 %
Inclinação média de decida: 3,9 %

Biritiba Ussu

Distrito de Mogi das Cruzes, passagem para quem faz a rota Mogi - Bertioga, ladeada por bonitas represas como a do rio Biritiba-Mirim e do rio Judiaí. Mais informações aqui: Prefeitura de Mogi das Cruzes, Wikipedia,

Em Biritiba Ussu tem posto de combustível para calibrar os pneus. No caminho da pousada tem lanchonete, restaurante e até uma Casa da Pamonha.

Não tem muita opção de hospedagem. Vi placas de apenas duas pousadas. A que fiquei se chama Pousada São Francisco e é uma pousada muito simples. Achei as roupas de cama e o colchão muito velhos. Fiquei com uma coceira danada depois de ter dormido lá. A pousada tem uma piscina e uma área para churrasco. A bicicleta ficou numa varanda em frente à suíte. São apenas 4 suítes. O telefone é (11) 4792-1690 e tem algumas fotos no site www.sidpousada.nafoto.net. Eu paguei uma diária de R$30,00, sem café da manhã.

Percurso Biritiba Ussu - Biritiba Mirim

Predominância de terra. Chegando em Biritiba Mirim tem um bom trecho de asfalto.

Distância: 17,3 km
Elevação no início: 786 m
Elevação no final: 787 m
Elevação mínima: 755 m
Elevação máxima: 822 m
Subida acumulada: 351 m
Decida acumulada: 350 m
Inclinação máxima de subida: 14,0 %
Inclinação média de subida: 3,9 %
Inclinação máxima de decida: 12,7 %
Inclinação média de decida: 3,9 %

Biritiba Mirim

Município do estado de São Paulo, já pertenceu à Mogi das Cruzes. Para mais informações, visite o site da Prefeitura de Biritiba Mirim.

Percurso Biritiba Mirim - Salesópolis

Não foi possível percorrer o caminho que havia planejado, por causa de uma porteira. Eu publiquei o percurso adaptado, sem minhas idas e vindas para encontrar um novo caminho.

A Rodovia Professor Alfredo Rolim de Moura (SP-088) está com a pista larga mas sem faixas pintadas. Não dá para saber se são duas pistas sem acostamento ou se é apenas uma pista com acostamento. A última hipótese parece ser mais válida. Tinha vários cavaletes na pista da direita (provável acostamento) para os carros não transitarem por ela, mas como estavam muito afastados uns dos outros, os carros andavam nas duas pistas. Mesmo com um fluxo baixo de carros eu não quis andar pela pista e fui pela calha de água na lateral da rodovia (veja foto).


Arquivo próprio

Distância: 23,8 km
Elevação no início: 787 m
Elevação no final: 807 m
Elevação mínima: 752 m
Elevação máxima: 839 m
Subida acumulada: 365 m
Decida acumulada: 344 m
Inclinação máxima de subida: 10,2 %
Inclinação média de subida: 2,5 %
Inclinação máxima de decida: 14,8 %
Inclinação média de decida: 2,9 %

Salesópolis

Um dos 29 municípios paulistas considerados estâncias turísticas pelo estado de São Paulo. Você pode encontrar mais informações sobre Salesópolis nos seguintes sites: Prefeitura Municipal de Salesópolis, Tietê Turismo e Aventuras e Wikipedia.


Arquivo próprio

Chegando em Salesópolis, desviei um pouco meu caminho para conhecer a Pousada do Refúgio. A pousada é muito bem cuidada e decorada, com alguns chalés com lareira. Gostei muito e recomendo para os casais.

Eu fiquei em outra pousada, chamada Bela Vista. Tem piscina e um salão de jogos. A roupa de cama e colchão eram velhos. O chuveiro esquentava muito pouco e a TV não pegava nada. Paguei R$50,00 com café da manhã. A bicicleta ficou na área da churrasqueira.

Percurso Salesópolis - Paraibuna
No começo há uma boa subida. A estrada tem um fluxo baixo mas constante de carros, motos e cavalos, com paisagens muito bonitas.
Distância: 31,7 km
Elevação no início: 809 m
Elevação no final: 643 m
Elevação mínima: 630 m
Elevação máxima: 951 m
Subida acumulada: 738 m
Decida acumulada: 904 m
Inclinação máxima de subida: 19,4 %
Inclinação média de subida: 4,3 %
Inclinação máxima de decida: 17,4 %
Inclinação média de decida: 4,5 %

Paraibuna

Município do estado de São Paulo com 17.009 habitantes (censo 2000), tipicamente rural e pacato, possui arquitetura colonial barroca. Você pode obter mais informações nestes sites: Prefeitura Municipal de Paraibuna e Wikipedia.

Paraibuna tem muitos ciclistas nos finais de semana. Encontrei vários grupos por lá.

Percurso


Trecho Paranapiacaba - Biritiba Ussu: GPSies e Wikiloc.
Trecho Biritiba Ussu - Salesópolis: GPSies e no Wikiloc.
Trecho Salesópolis - Paraibuna: GPSies e Wikiloc.